Uma busca sociológica, dentre livros resenhados e textos estudados, do Professor Mário de Castro.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
A NECESSIDADE EXISTENCIAL DA MUDANÇA NA MEIA-IDADE
Fazer um “pari-passu” em nossas vidas, em nossa meia-idade, é refletir de que a liberdade é a ausência de limitações e é quando se dá a fase mais propícia ao desenvolvimento interior.

Texto adaptado da Havard Business Review com tradução de Carlo Strenger e Arie Ruttenberg Numa tese publicada em 1965, Elliott Jacques - psicanalista e consultor organizacional canadense, então com 48 anos e relativamente desconhecido - cunhou o termo "crise da meia·idade". Jacques sustentava que nesse período o homem fica frente a frente com suas limitações, suas possibilidades restritas e sua mortalidade. No entanto, após a publicação dessa tese, o próprio psicanalista tornou-se um exemplo de como é possível ter uma segunda vida. Ele escreveu doze livros, casou-se e teve algumas de suas idéias mais originais em fins da década de 1990, quando saía da casa dos 70 e entrava na dos 80 anos. A reação das pessoas à vida de Jacques tende a ser de estupefação. "Como alguém pode se manter produtivo por tanto tempo?". O conceito de idade das pessoas está terrivelmente desvinculado da realidade. Hoje, a expectativa de vida no mundo ocidental é de cerca de 80 anos e segue subindo. Com o aumento da expectativa de vida, a mudança da meia-idade passaria a ser uma necessidade existencial para muitos trabalhadores. Mas, apesar da necessidade e da frequência dessa mudança, a meia-idade (a grosso modo, dos 43 aos 62 anos), continua a ser um período muito difícil - e para o qual as pessoas estão em geral, despreparadíssimas. Dois mitos contrastantes permeiam os temores de muita gente sobre a meia-idade, impedindo uma mudança triunfal nessa fase. O primeiro, mito da meia-idade, como início do declínio, tem raízes em noções historicamente ultrapassadas. A ideia de que a meia-idade marca o início do declínio e a de que aceitar limitações crescentes é a única maneira madura de encarar o envelhecimento, ainda são tidas pela maioria como bom senso. Só que o bom senso pode estar sendo superestimado. A meia idade é fascinante por ser um momento no qual a pessoa tem a oportunidade de reexaminar até suas noções mais básicas. Não nos entendam mal: de jeito nenhum queremos subestimar os problemas objetivos surgidos com a meia-idade, tais como limitações físicas. O que queremos dizer é que, enquanto esses problemas viraram o foco de discussões sem fim, as vantagens conquistadas por muitos na meia-idade mal são mencionadas. Nossa tese é que, para um número cada vez maior de gente, a meia-idade pode ser um período de oportunidades inéditas de crescimento interior. É por isso tudo que, a nosso ver, o indivíduo tem mais liberdade na meia-idade do que em qualquer outro momento da vida. Não esperamos que essa ideia seja aceita sem resistência - resistência cuja fonte mais forte é a crença generalizada de que liberdade é ausência de limitações e existência de possibilidades quase ilimitadas. À luz dessa definição, a meia-idade não soa nada animadora. Contudo, acreditamos que a pessoa na meia-idade deixou de ser consumida pelo temor de não ser boa em nada, ou pela necessidade de provar que é boa em tudo - e ganhou uma liberdade que só o autoconhecimento pode dar. O segundo mito é a noção da meia-idade como transformação mágica. O mito tenta vender a ilusão de que a pessoa com suficiente visão e força de vontade pode se tornar naquilo que quiser. Um problema é que o mito da transformação mágica contradiz a ciência. o cérebro humano é composto de bilhões de neurônios conectados entre si por uma miríade de vias. Para alterar um padrão básico de pensar, sentir e agir é preciso que bilhões de novas conexões sejam formadas. No caminho da transformação, mesmo os seres com visão e força de vontade, são também de carne e osso: sentem medo, ficam confusos, fazem tentativas e erram. Não existe transformação mágica. Para se livrar da ilusão da onipotência é preciso se concentrar no vínculo entre suas habilidades e suas aspirações, distinguindo o sonho da fantasia. Por exemplo, um executivo com 50 anos que deseja começar a tocar piano e tem como meta ser um pianista com reconhecimento internacional, pode até não virar um pianista profissional, mas poderia ser gerente de uma orquestra, de acordo com suas experiências e habilidades. A geração do pós guerra está envelhecendo, mas seu trabalho está longe de ser concluído. Muita gente pode antever e desfrutar uma segunda vida, se não uma segunda carreira. A tarefa em mãos não é, contudo, tão fácil como promete a cultura da auto-ajuda, com seu "querer é poder". A verdadeira transformação na meia idade não reside em nós, esperando para sair do casulo como a borboleta. A auto-realização é uma obra de arte. Para chegar lá é preciso esforço, energia, habilidade. Por sorte, O ímpeto vital não se extingue aos 65 anos de idade. Aliás, não há fase mais propícia ao crescimento e ao desenvolvimento interior do que a meia-idade, quando muitos aprendem a ouvir seu eu mais íntimo - o primeiro, e indispensável, passo na jornada da realização pessoal.
Mário de Castro
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
GERAÇÃO Y
Parte superior do
formulário
Parte inferior do
formulário
“Talvez seja este o aprendizado
mais difícil: manter o movimento permanente, a renovação constante, a vida
vivida como caminho e mudança.” Maria Helena Kühner (dramaturga e pesquisadora).
Um executivo chega em casa, depois de uma dia de trabalho, e sua
filha, no quarto, completamente concentrada, levantou-se e veio dar-lhe um
beijo. Ele pergunta sobre seu dia e também, sobre o que está fazendo. Ela
responde ao pai que, no dia seguinte, teria de entregar um trabalho que
valia importantes pontos em suas notas no colégio. Vendo a responsabilidade
da filha com o compromisso, disse que a deixaria à vontade para estudar e
que, antes de dormir, falaria com ela novamente.
No final da noite,
voltando ao quarto da filha para desejar-lhes um bom descanso,
ficou perplexo com a cena que encontrou. TV ligada no canal Discovery;
fones ouvindo música no iPod, com o computador ligado e conectado na
internet, com três sites abertos (o Google, um blog colorido e o site de
relacionamento Orkut) e também com o Word e o PowerPoint
acionados, teclando com cinco amigas no MSN, além de estar com o celular
na mão enviando um SMS para um colega. TUDO AO MESMO TEMPO. Qual a reação,
o que fazer? E o trabalho para o dia seguinte? Não havia nenhum
livro,(nenhuma Barsa!) sendo usado como base para o trabalho, o pai tem
então o “CHOQUE DA GERAÇÃO Y”. O executivo não tinha chegado nem perto
de imaginar que todas essas ferramentas estavam funcionando simultaneamente
e que a integração dessas atividades permitiria que a filha chegasse a um
resultado positivo, no trabalho para o dia seguinte.
Isto hoje
está longe de ser um caso isolado de uma adolescente excepcional, dotada
de inteligência superior; é cada vez mais comum nas famílias e em todo
mundo. Vivemos um tempo de intensas mudanças, em um tempo singular em que
percebemos inúmeros acontecimentos à nossa volta. Todos acompanhados de
uma afinidade de informações e chegando pelos mais variados meios.
Geração Y são os
nascidos entre 1980 e 1999 e que agora chegam à vida adulta e ao mercado
de trabalho, extremamente informados e interferindo diretamente nos destinos
da sociedade. Eles nasceram de famílias estruturadas em um modelo mais
flexível, onde o convívio com os pais é bastante diferente do que havia
nas gerações anteriores, cabendo-lhes o destino de modificar profundamente
os paradigmas e premissas estabelecidos. No entanto isso não
pode acontecer sem se considerar as características que formaram as
gerações anteriores, que ainda interferem bastante no futuro de nossa
sociedade.
Uma BELLE
ÉPOQUE de nossos avós e bisavós nascidos em 1930 e 1940 presente nas artes, na
literatura e no cinema emergente, um período dramático para educar os
filhos, (chamados geração tradicional) com poucas alternativas para o
desenvolvimento dos jovens.
GERAÇÃO X,
era chegado o tempo das revoluções entre os anos 1960 e 1980 a
geração BABY BOOMERS assumia sua vida adulta protestando contra tudo e
contra todos, praticamente contra tudo que estava estabelecido. O
surgimento da TV afeta de forma significativa esta geração (desde os
horários de refeições, deveres de casa até o horário de ir para cama).
Agora jovens pais – geração baby boomers – tem uma “moeda de troca” na
educação dos filhos da geração Y. Muitos pais tiveram êxito em transferir
a seus filhos valores e conceitos que aprenderam na juventude, conseguindo
assim, o desenvolvimento dos jovens na construção de uma família exemplar,
como a de seus pais. Foi uma geração marcada pelo pragmatismo e
pela autoconfiança em suas escolhas, que buscou promover a igualdade de
direitos e de justiças em suas decisões.
A realidade
hoje é a convivência, em um só lugar, de bisavós, avós, pais, filhos e netos.
É no relacionamento entre estas cinco gerações que está a chave para o
resgate do equilíbrio necessário para estes novos tempos.
Questionar,
questionar e questionar. Por que esta geração Y pergunta tanto?
Os pensadores da Geração X pregavam e continuam insistindo, com esta nova
geração, que, O MUNDO É CONSTRUÍDO COM PERGUNTAS E NÃO COM RESPOSTAS. É
preciso considerar que questionamento hoje, desta nova geração não é
contestação ou desafio ao nosso conhecimento, eles vieram de um ambiente
de constantes desafios e para eles é muito importante interagir com
o mundo que o cerca. Há uma busca constante de conexão com as coisas e as
pessoas; questionar é uma forma de conectar e estes jovens da geração Y
estão mudando muitas verdades que aprendemos em nossa juventude, eles
querem respostas diretas e claras, exigem transparências de seus pais e e
de seus líderes e estão dispostos a lutar por seus sonhos.
Segundo o
autor a geração Y precisa de nossa atitude, de nossa experiência, de nossa intuição
e de nossa paciência. Afinal, eles estão preparados para assumir empregos que
ainda não existem, usando tecnologias que ainda não foram inventadas, para
resolver problemas que ainda não sabemos que são problemas.
Oliveira, Sidnei
Geração Y: o nascimento de uma nova
versão de líderes
Sidnei Oliveira.- São Paulo: Integrare
Editora, 2010
Mário de Castro
sábado, 1 de junho de 2019
VIDAS CHEIAS DE CONDIÇÕES
Parte superior do formulário
Parte inferior do formulário
“Quais são os “ses” e os “mas” que limitam o meu
prazer de viver” John Powell

O mundo não foi feito para ser como você, eu, ou qualquer outra pessoa gostaria
que fosse. A Lei de Murphy, como a maioria dos chavões, (Lei de Gerson) contém
uma boa dose de verdade. Mas, em vez de ser uma manifestação de ressentimento,
ela poderá ser uma Estrela Guia que nos lembrará de que podemos viver com a
realidade, com flexibilidade e serenidade, independente do que aconteça, nós
podemos fazer as nossas escolhas. Serenidade é uma palavra que não se ouve
muito hoje em dia, ela significa ter tranquilidade, calma e paz de espírito, no
corpo e no coração. É preciso coragem para mudar as coisas que podemos mudar e,
aí, estão as nossas grandes responsabilidades: a única coisa que podemos mudar
somos nós mesmos. Diante disto é muito importante começar a ver que a vida é
cheia de possibilidades e oportunidades que derrubam com facilidade os fardos,
obrigações e armadilhas perigosas que a realidade nos trará, com certeza.
A felicidade é uma escolha, está sempre ao nosso alcance, está dentro de cada
um de nós. A nossa infelicidade não ajuda ninguém e nem transforma o mundo
num lugar melhor. Leo Buscaglia escreveu: “o mundo é cheio de possibilidades e,
enquanto elas existirem, haverá esperança”
George Bernard Shaw escreveu a melhor conceituação de esperança que ficou
famosa num discurso de Robert Kennedy: “algumas pessoas vêm as coisas como
são e se perguntam ¨Por quê? ¨. Sonhei coisas que jamais aconteceram e
perguntei ¨Por que não? ¨.” A esperança é essencial, para nos mantermos
vivos e quando acreditamos no nosso futuro, no futuro dos outros e do mundo
fica fácil bater de frente com a realidade, o faremos cheios de coragem. O
convívio diário no trabalho, em nossas casas, acabam nos envolvendo em muitos
aspectos de vida mas, é preciso lembrar que há diferença enorme, em
interessar-se e compartilhar, e, cada um de nós temos de controlar as nossas
escolhas e nossos sentimentos.
Escolha a Felicidade: A Arte de viver Sem
Restrições
Ray, Verônica – l0ª edição -2004
Editora
Pensamento
Mário de Castro
P.S. de Como Estrelas
na Terra
Taare Zamen Car, um filme indiano é
produzido e dirigido por Bradley Cooper, em Boliwood, a segunda maior Cidade de
Cinema do mundo, na Índia. Seu sucesso
ao entrar na Europa o batiza Como Estrelas na Terra. O filme foi indicado ao
Oscar de melhor ator e melhor diretor em 2009 e também ao Oscar, como melhor
filme Internacional em 2016.
Do gênero infantil, uma comédia
dramática dirigida por Aamir Khan,
também ator, no papel do Professor Nikumleh,
a dislexia é o alvo da colocação
no filme, como uma perturbação da aprendizagem; pode ser classificada como uma
síndrome linguística, apesar da pessoa ter uma inteligência normal. Ajustar a
forma de aprendizagem foi a forma que o professor encontrou de corresponder a
necessidade do aluno. Vale a pena ver o filme.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
COMO AS
ESTRELAS NA TERRA
O que significa se importar com alguém ou algo? As
pessoas definem isso de diversas formas, cada uma de acordo com aquilo que
acham mais importantes. Importar-se com alguém não é apenas prover o que lhe é
necessário para viver, mas também participar de sua vida, lhe ouvir, dar
carinho e atenção. No filme “Como As Estrelas na Terra” o pai de um menino com
dislexia e um professor mostra, um pai que acreditava que provendo
financeiramente tudo para o filho demonstrava se importar com ele, e a resposta
do professor é “importar-se é essencial, tem o poder de curar feridas – um
bálsamo para a dor quando a gente se sente querido. Um abraço, um beijo, dizer
'filho eu te amo. Tem medo? Estou aqui; se cair ou falhar, eu estou a seu
lado.' Dar segurança, carinho. Importar-se é isso, não é? Francisco Bandeira da
Costa Neto
O filme Como As
Estrela na Terra conta a história de um garoto de oito anos chamado
Ishaan Mandkishore Awasthi. Ele mora com os pais e o irmão. No decorrer de
sua infância, enfrenta inúmeros problemas, pois as pessoas que o cercam o
vêem como indisciplinado e insociável. Ninguém consegue entender como seu
irmão consegue destacar-se em inúmeras disciplinas e ele repetidamente
cursando o 3° ano.
Em casa e na escola, este garoto
não consegue satisfazer as exigências a ele impostas. Uma simples leitura
pode ser um enorme desafio para ele. Escrever também é muito difícil,
enxerga as letras “dançando” no papel e não consegue organizá-las de modo
a formar um léxico e, consequentemente, decifrá-las. O pior é que ele não
tem o acompanhamento necessário e é colocado ao ritmo normal de ensino das
outras crianças e forçado a adaptar-se.
A verdade é que Ishaan tem um
problema neurológico chamado “dislexia”, que causa dificuldades na
escrita, leitura e soletração, porém somente após sua ida a um internato
que se é detectado. O diagnóstico vem através do professor de Artes Ram
Shankar Nikumbh que demonstra ter interesse de cuidar do aprendizado do
pequeno aluno. Fala aos pais de Ishaan sobre “dislexia” e explica-os que o
motivo do mau comportamento do garoto é devido à maneira de como ele
comumente é tratado ocasionando agressividade e diminuindo a autoconfiança.
Após uma série de esforços do
professor Nikumbh, Ishaan começa a recuperar sua auto-estima e percebe que
sua diferença não o torna incapaz de fazer tudo que seus colegas fazem.
Pelo contrário, sua inteligência é exposta aos olhos de quem o
recriminava. O garoto começa a se destacar em todas as disciplinas e,
principalmente, retorna à vida de criança tornando-se um orgulho para
a família.
O filme Como As Estrela na Terra
deve ser visto por todos aqueles que pretendem seguir – ou seguem – a
carreira docente. O professor está sujeito a situações diversas, e a
dislexia não pode ser um problema a interferir na vida estudantil de uma
criança. Cabe ao professor assegurar o aprendizado de todos seus alunos,
sem exceções, mesmo àqueles que forem considerados diferentes.
Com a colaboração de Christian Roberson
e Marco Parizi
Mário de Castro
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
MÉDICO DE HOMENS E DE ALMAS
A
história de São Lucas Taylor Caldwell
Fatos e coisas que talvez,
só Lucas – Lucano, o Grego – médico e evangelista viveu e contou.
Pérolas, somente pérolas da Segunda e
Terceira parte do livro.
Lucas, o único apóstolo, que não era judeu, era grego, jamais viu
Cristo, tudo de seu Evangelho foi adquirido através de pesquisas, ouvindo
testemunhas, a mãe de Cristo, discípulos e apóstolos. Sua primeira visita a
Israel teve lugar quase um ano após a Crucificação.
Catando Pérolas,
apenas algumas, ...
“... os astrônomos egípcios lhe haviam falado naquela Estrela. Era
apenas uma Nova. De início, pensaram tratar-se de um meteoro. Lucano recordou a
profunda emoção que sentira no coração ao Vê-la, a segurança apaixonada e sem
nome que se instalara em seu âmago, a intensa alegria. Lucano viu a Estrela
Luminosa -Estrela Guia- aos cinco anos.
Roma já alcançara os setecentos anos de idade e era velha, agora já tendo
cometido inúmeros pecados. Nas latrinas espirituais os homens tinham abandonado
sua fé e seu caráter.” O sinal da
Estrela Luminosa era uma advertência aos jovens para que não esquecesse de seu
Criador.
“...jamais me esqueci de Deus. Ele perseguiu minha vida, até alguns
anos atrás, quando, de súbito se afastou de mim... sinto falta de meu Velho Adversário
mas Keptah me disse que Deus jamais abandona os homens; pois eu te digo que a
mim Ele deixou. Há um grande silêncio onde outrora Ele estava.”
“... acho os judeus muito interessantes. Atualmente, toda Judéia
ressoa com o nome de um mestre judeu, um Jesus de Nazaré. Os oficiais foram
convidados a jantar com Herodes Antipas, que é homem cauteloso, e que parece, a
esta altura andar muito preocupado; ele bebeu mais do que nós e depois se
debulhou em lágrimas e falou de um João que tinha mandado matar, que agitava o
povo. Um rabi judeu, obscuro, iletrado, miserável. Seria ele o Deus
Desconhecido?".
“Sara escreve à Lucano: ... antes de ficar confinada ao leito eu vi Aquele
que estás procurando, misturei-me com as multidões pelas ruas e toquei-Lhe as
vestes. Ele voltou-se e sorriu-me compassivamente, dizendo me que não
desanimasse, que minhas preces já tinham sido ouvidas“.
Prisco, irmão de Lucano, lhe deixa uma carta: “... Jesus de Nazaré, o
Mestre judeu mendicante, cuja influência crescia na Judéia conta: ‘na verdade
havia um mendigo que eu conhecia de vista e que era cego de nascença e em certa
ocasião dei lhe esmolas. ...um dia o encontrei rodeado de muita gente excitada,
e seus olhos estavam abertos e ele enxergava:
- O Filho de Deus abriu-me os olhos quando eu Lhe implorei que o
fizesse’”. Bartimeu, cego de Jericó.
Ele vinha com frequência àquela cidade onde o povo é povo, é pobre e
vive oprimido pelos romanos e desprezados pelos eruditos: “... Ele se aproximou
das portas de Naim, e um homem morto, o único filho de uma viúva, ia sendo
levado para fora. O Senhor, vendo-a teve compaixão dela, pois a mulher chorava
desconsoladamente, e depois de um longo e carinhoso olhar para a mãe, Ele
dirigiu-Se à padiola e fixou os olhos nos que a carregavam, e estes
imediatamente ficaram imóveis. Ele levantou Sua Mão e disse ao filho morto: - ‘jovem,
levanta-te, eu te digo’”
Lucano pôs a carta de lado, e de novo sentiu a pesada náusea do
coração e a depressão, o imenso repúdio. Ele como médico, acreditava saber o
que acontecera à Ramo: o homem vira o que desejava ver, era muito simples. Mas,
o jovem que se erguera, o que estava “morto”? Também aquilo era simples demais,
o homem sofrera um ataque de catalepsia. “Eu tenho muitas explicações, Lucano
começou a pensar: preciso sempre raciocinar, preciso sempre afobar-me para
explicar as coisas à luz da razão? Que me trouxe a razão a não ser desgosto?
Entretanto, tudo quanto não é lógico me parece revoltante, infantil, mesmo
profano, e, sem saber por que, começou a chorar.”
O ruído da cidadezinha penetrava naquela pobre e miserável rua. Maria
vivia agora em Nazaré, e até então, devia ter quarenta e oito anos de idade: “-
Sou Lucano, médico grego, Senhora, murmurou ele: - vim de longe para ver-te pois amo e sirvo
teu Filho, embora nunca O tenha visto, a não ser em meus sonhos.”
Somente para Lucas, Maria revelou o Magnificat, Cântico de Maria, que
contém as mais nobres palavras de qualquer literatura. Lucas ouviu a mãe de Cristo, por duas vezes
consecutivas, em Nazaré, e então escreve seu eloquente Evangelho.
PS.
- Saulo de Tarso ou Gaio Júlio Paulo, depois Paulo de Tarso, e Lucano,
o médico grego, depois Lucas, nenhum
dos dois vira o Messias em carne, pessoalmente.
- Lucas, é autor de um dos Evangelhos e de Atos. Lendas antigas o
descrevem como uma pessoa fora do comum, a quem são atribuídos milagres e
prodígios antes mesmo de sua conversão ao Cristianismo.
- Este livro levou quarenta e seis anos para ser escrito.
Caldwell,
Taylor, 1900-1985
Médico de homens e de
almas / Taylor Caldwell; tradução
de Aydano Arruda. – 58ª
ed.- Rio de Janeiro: Record, 2015
Mário
de Castro
Setembro de 2018
Assinar:
Postagens (Atom)

