terça-feira, 1 de março de 2022

 

MOCAMBEIRO

 

 

MOCAMBO: terra de devaneio

Ficastes famosa por sua bondade

Em acolher com carinho em teu seio

Seres cansados, sem ter liberdade.

 

Quando o negro escravo fugia

Das torturas e procurava o escambo,

Em direção a ti o negro corria

De braços abertos saudando-te

Oh! Bravo mocambo.

 

Hoje em dia já figuras na história

Te representa o fiel Mocambeiro

Depois da triunfante vitória,

Sou eu que te peço favor derradeiro.

 

Mocambeiro, tu parte sereno,

Deixando a solidão e saudade,

Eu pobremente intervenho

Solitário clamo a sua vaidade.

 

Mocambeiro! Tu levas metade do meu eu.

Por que não me escutas?

Tu roubas o que é meu.

 

 

(De MCASTRO)

 

... Está sim, num verão noturno de 1962, é um pedaço saudoso do lidos e vividos.

7 comentários:

  1. Parabéns tio, texto que nos faz refletir muito o que o nosso povo passou durante anos.

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  2. Professor Mário! Quanta profundidade em tão simples versos! Parabéns e muito obrigada por nos brindar com essa pérola sobre o Mocambeiro.

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  3. Olá, Mario!
    O professor está sempre nos presenteando com suas histórias e sábias palavras, agora em versos. Parabéns!!!

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  4. Mocambeiro, local de refúgio onde o negro se escondia e descansava da lida diária. Onde o escravo fazia sua casa, seu porto seguro.
    Quantas vezes ouvi minha mãe contar a estória deste poema. Ela, musa do autor, deu origem ao lamento de um apaixonado, meu pai. Os versos contam como o Mocambeiro, linha de ônibus que ela utilizava para ir para casa, a separava dele.
    Bonito, né? Eu acho! Pricipalmente porque diz respeito à minha família.
    Ai ai...

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  5. Belo texto. Retrata a cicatriz que muitos países possuem dessa era deplorável da desolação humana. Um bom exemplo dessa época eu conheci em uma visita que fiz a Minas Novas e fotografei algumas igrejas da cidade em questão. A segregação pela religião também era muito percebida. Havia a igreja dos homens brancos, a dos homens pardos e a dos homens negros. Creio que ambas ficam na mesma ladeira. E foram erigidas em ordem de importância. Sendo assim as igrejas mais no alto da ladeira eram as dos homens brancos. E as mais no meio ou ao pé da ladeira dos pardos e negros. Estes últimos eram sempre nó pé da ladeira para demonstrar onde os negros deveriam se manter. Assim me explicou o sacristão. Um texto incrível. Belas palavras. (Cláudio Mendes da Silva.)

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