sexta-feira, 1 de julho de 2022

 

VIDA, OBRA E MITO JK, O ESTADISTA

 

Ler, anotar muitas coisas e resenhar JK, especialmente Vida, Obra e Mito JK, o Estadista, livro do também Professor Vicente Cruz Filho é para mim um grande prazer e muito nos honra.


O menino Nonô de Diamantina – MG não queria ser padre, mas sim Doutor. Filho de Dona Júlia Kubitschek de Oliveira, professora, que passa a morar com os dois filhos Naná e Nonô na escola em que trabalha, após sua viuvez. Nonô, batizado com o nome de Juscelino Kubitschek de Oliveira vai se tonando um grande “ledor de livros”. Mesmo sem sapatos até os doze anos e com apenas seis livros, no sistema de trocas, lê centenas de outros livros. Mesmo não tendo gratuidade em curso no Seminário de Diamantina, não queria ser padre, mas sim médico. Nonô, agora Juscelino Kubitschek de Oliveira sonha em ter um emprego estável para custear um futuro curso de medicina: neste preparo lê, mais de trezentos livros de assuntos variados, na   Biblioteca da União Operária Beneficente de Diamantina. Com dezessete anos de idade Juscelino viaja de trem para Belo Horizonte com passagem e algum dinheiro, conseguidos através da venda da única joia da família, vendida por Dona Júlia para custear o filho em concurso para telegrafista no Departamento de Correios e Telégrafos em Belo Horizonte. Feito a prova, volta para Diamantina onde aguarda com ansiedade, por longos seis meses, que aprovado, mudaria tudo em sua vida. Telegrafista nos Correios, trabalhando no horário noturno ele consegue, com seus recursos, se preparar para ser médico.  Foi aprovado no vestibular em 1922.  Em sua formatura como médico apresenta à mãe, Dona Júlia, sua namorada que conheceu em Belo Horizonte, Sarah Gomes de Lemos. Aqui, o antes Nonô, agora Juscelino descobre: (“ ... pelos estudos que ser-me-ia possível quebrar as algemas), ... caminhos que haverão de presenteá-lo em muitos sucessos de vida. Do despertar dos livros de sua juventude, a França teve lugar expressivo e é onde Juscelino Kubitschek de Oliveira faz uma especialização em cirurgia, sagrando-se no primeiro lugar entre oitenta médicos cursantes.  Já casado com Dona Sarah, sua esposa por toda vida, a Revolução de 1930 o levou à Força Pública de Minas Gerais, hoje Polícia Militar de Minas Gerais, como Capitão-médico e chefiando o Serviço de Urologia do Hospital Militar de Minas Gerais, em Belo Horizonte e depois Major e Tenente-coronel-médico, no mesmo Hospital, já em 1955, Juscelino vê que o aprendizado de sua vida, até então, o desperta para o discurso, sua ferramenta para seu sucesso político no país. Secretário particular e Chefe de Gabinete do então Interventor Benedito Valadares tinha as manhãs livres para exercer a cirurgia hospitalar e em 1934 é eleito Deputado Federal. Em 1937 Getúlio Vargas fecha o Congresso Nacional e Juscelino volta a clinicar no Hospital Militar, mas sua lide política está desperta*.  Indicado para Prefeito de Belo Horizonte por Benedito Valadares aí então JK assume e começa seu espírito de renovação na administração pública. É famosa sua citação ao terminar a construção da Av. do Contorno para a visitação de Getúlio Vargas à Belo Horizonte:  ...´são os dez mil servidores de que disponho’ ... são os dez mil burrinhos no transporte de terras na construção da avenida. São suas como, prefeito, obras do complexo da Pampulha – hoje Patrimônio Histórico, o Hospital Municipal Odilon Behrns, o Conjunto Residencial IAPI, os Restaurantes Populares em Belo Horizonte, os famosos bandejões e é na maioria dessas construções que surgem os empreendedorismos profissionais de Oscar Niemayer, Lúcio Costa, Portinari e Burle Marx que logo depois vão estar presentes na construção da Capital da Esperança – Brasília. Governando Minas com êxito frenético do binômio ENERGIA e TRANSPORTE, construindo e pavimentando estradas no Estado cria a Cemig, a Frimisa e a Fertisa (fertilizantes). O dinamismo de seu governo o faz natural candidato a Presidente da República para o pleito de 1955. Eleito em primeiro turno teve sua posse muito ameaçada e é daí uma de suas frases famosas: “Poupou-me Deus o sentimento de medo”. Alicerçado no trinômio ENERGIA – TRANSPORTE E ALIMENTAÇÃO JK se compromete com um Plano de Metas de 50 anos de progresso em 5 anos de governo e verdadeiramente não estava em sua meta a construção de Brasília e segundo o autor, JK é questionado pelo goiano Antônio Soares Neto – o Toniquinho -  por que não construir Brasília?  Aceito o desafio Toniquinho está com JK no Planalto Central visitando as obras de 43 meses de trabalho frenético e interrupto. Foram realmente 50 anos em 5 com o Brasil não mais importando geladeiras, aparelhos elétricos e até automóveis, um país promissor que já tinha quase tudo. Recebendo as chaves da Nova Capital do país do engenheiro mineiro Israel Pinheiro. 

 

Relata em sua obra, o professor Vicente Cruz Filho um governo JK com apenas 25% de inflação contra 130% de João Figueiredo, Sarney com 472% e um Fernando Collor com 948%. As dívidas públicas são notáveis no comparativo em dólares: 200 bilhões de FHC, 148 bilhões de Itamar Franco, 136 bilhões de Collor, 102 bilhões de Figueiredo e 3,5 bilhões de JK. A ideia do livro é acalentada desde 2004 e o autor faz agora a publicação tendo como joia o famoso discurso do Eterno Presidente quando assumiu uma Cadeira na Academia Mineira de Letras. Dentre outras coisas JK fala solenemente: (“... a aceitação unânime de meu nome por esta Academia, declarei-vos de haver feito um homem feliz. ... a presença nesta solene sessão de um dos maiores vultos contemporâneos do Brasil, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota para apresentar –me as saudações desta Academia, me fez um homem feliz ‘ aplausos demorados’. ... do fato de ter como Governador de Minas visitado todos os municípios mineiros, àquela época quatrocentos e cinquenta ... li, li muito, li bastante, em quantidade e qualidade ... no quadro sisudo do Velho Tijuco ... não saberei dizer como dominei o susto, ao ter que pronunciar, em Diamantina o improviso que marcou a primeira e difícil etapa que me levou às culminâncias do poder ... divisei-me com uma pequena e curiosa aglomeração na modesta Estação Ferroviária para dar-me as boas vindas, após o sacolejo de quinze horas.  O néctar transportava-me aos dias de jovem e os ensinamentos de Vieira, de Rui e de Montalverne, que naquela época já me tinham revelado a eloquência ajudaram-me e pude desatar a língua, que desatada ficou por várias décadas, proporcionando-me a levar ... vastidões do Brasil, o evangelho da liberdade.  ‘aplausos demorados ‘

 

A poltrona na qual hoje me emposso, dignificada por Mendes de Oliveira ... ninguém foi mais alto do que ele, na glorificação do soneto, poltrona depois ocupada por Noraldino Lima, Diretor da Imprensa Oficial, secretário de Estado e Deputado Federal, coube-lhe tudo com que Minas poderia alardoar o filho predestinado, inclusive a Chefia de Governo. ... sete anos são passados, não me esqueci e não se esqueceram os que viram e ouviram Guimarães Rosa afirmar na Academia Brasileira de Letras, em sua posse, que as pessoas não morrem ficam encantadas, eu estava lá, num dos raros discursos de Rosa na Academia. ... se a saudade machuca, é também a mais nobre moldura para a recordação. Na viagem que inicio não mais encontrarei a rasgarem a minha carne os espinhos que tanto me feriram ... servir o Brasil e a terra muito amada de Minas. ‘aplausos demorados’   Sei que compartilharia com tal gáudio aquela que me educou e a quem, lá do Céu, contemplando a vitória do filho, bendirá a Deus a ventura de lhe haver permitido trazer, da legendária Diamantina até esta soberana Academia Mineira de Letras, o menino pobre que lutou sem tréguas, para algum dia merecer esta  “glória que fica,  eleva, honra e consola”. 6 ‘palmas por vários minutos’ ‘ “)

6 – Parte III do poema “versos a Corina”, de Machado de Assis.    

 

Cruz Filho, Vicente

       Vida, obra e mito JK, o estadista

Belo Horizonte: Páginas Editora, 2021

100     :  discursosil. Foto.p&b

 

 

*Paulo Pinheiro Chagas, deputado mineiro e Ministro de JK lembra em um de seus discursos de uma das primeiras sagas políticas de Juscelino:  “... esqueçamos, esqueçamos, como quem esquece 37, a história também tem o seu pudor”

Mário de Castro

 

PS – De duas feitas tive o privilégio de ver, ouvir e falar com Juscelino Kubitschek de Oliveira. Na primeira vez, no assento traseiro de um automóvel preto e grande - muito bonito – isso no antigo abrigo de bondes Sr. Bom Jesus - Cachoeirinha -, no centro da cidade de Belo Horizonte, rua Curitiba, em frente ao predinho Sede da Drogaria Araújo, quando o menino, também engraxate e também com mais ou menos 11 anos, falou e pediu: Olha lá, olha lá Doutor Juscelino!!!  Doutor Juscelino:  me dá um dinheiro aí!!!  E ele, um estadista, o Governador do Estado de Minas, tira do bolso algumas moedas: - Toma, parte com vocês dois; e, dando ordens ao motorista, foi-se embora. Na segunda vez, assustador e quase incrível, no início da década de 60 por volta de 61/62; não sei precisar bem, na sede do Partido Social Democrata – PSD – à rua Espírito Santo 920 – Centro de Belo Horizonte, assusto-me ao ver entrando naquela sede o Presidente JK!  Me estendeu a mão:  - boa tarde meu jovem, O Dr. Renato Azeredo já está aí? – Não Presidente, mas vou chama-lo imediatamente, assente-se por favor, vou servi-lo um cafezinho! Pasmem!!!  Em minutos e ainda o presidente tomando o cafezinho entra no casarão da sede do PSD, Dr. Renato Azeredo – Vice chefe da Casa Civil do Presidente JK, e em seguida o casarão do PSD fica repleto de gente, de repórteres, de jornalistas, de políticos, e curiosos em ver o   Eterno Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

 

DIA DO SELO

Agência Filatélica Belo Horizonte MG Espaço Filatélico em 1 de agosto de 2012 Ainda ontem, meados da década de 1970, as peças filatélicas do primeiro lançamento de PEQUENAS JANELAS PARA O BRASIL E O MUNDO estiveram e estão presentes na vida dos CORREIOS e dos amigos dos selos e dos Filatelistas.


… estávamos nesta casa, há mais de vinte anos, como se aqui fosse a Casa Mãe, do Monastério de uma instituição chamada Correios. Entre circulação de selos e preparo de peças filatélicas já fazíamos a interação, a parceria de trabalho, procurando fugir de toda e qualquer burocracia em prol do melhor atendimento desta clientela seleta chamada filatelia. Entre receber os selos comemorativos, envelopes, cartões e editais, víamos uma corrida incansável da jovem senhora Adelina Pereira, no preparo das peças filatélicas, cuidadosamente preparadas, com esmero e carinho.

Senhoras e Senhores, há que se saber que nós da Tesouraria Regional, víamos os selos em primeira mão, os envelopes e editais, conhecendo também os carimbos de primeiro dia de circulação mas, no entanto, nestes anos todos nunca tivemos a oportunidade de assistir, ver o dia a dia de lançamentos, do obliterar dos primeiros selos, quase uma vida profissional nesse cotidiano de valores e selos, formando uma equipe profissional naquele trabalho, enquanto durou a tesouraria, diríamos, fomos os últimos dos Moicanos.

 

Qual não foi a minha surpresa ao sermos convidados para sermos o segundo a obliterarmos os selos Carta Comercial- 1º porte – Bandeira e ipê e Janelas para o Brasil e o Mundo (só poderia ser feito da Adelina, sabedora que eu ali estaria “sem lenço e sem documento”);


O aconchego da recepção pela Raquel, Laíze e Cosme nos cativou enormemente e pasmem, (surpreendi-me, quando queria apenas a oportunidade do obrigado por aquela primeira vez, -do dia do selo- carimbo de primeiro dia de circulação), eis que o Sr. Diretor Adjunto, Messias Godoy, nos convidou, pela empresa, pelo dia do selo para cumprimentar aos senhores, filatelistas, colaboradores e gestores da empresa e também amigos do selo. Estas surpresas, senhores e senhoras, não sei se temos, ainda “o aguenta coração”.

Mário de Castro

 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

 

 

PALAVRAS

 


Nesta casa iniciei a busca de um sonho; nessas casas - O Colégio Riachuelo – comecei a sonhar em ser professor, um aprender e ensinar, uma caminhada de 49 anos para descobrir que aprendi muito mais que ensinei, e conclui que o processo de educação é um eterno buscar.


Iniciamos aqui no Colégio Riachuelo, no dia doze de março de 1969; um iniciar de encontros que marcaram uma constante de tempos idos e vividos, onde estava nesse momento toda crença, todo poder de querência diante do nosso próprio pensar, diante do nosso próprio pregar, do transmitir de que o longe é um lugar que não existe, de que não há passado e nem futuro, mas sim um presente constante, o aqui e o agora. Dezessete anos de Riachuelo, quinze anos de rasteio em perseguição a um objetivo, o de criar e recriar, pela força do diálogo, o binômio utópico da real relação de - EDUCANDO E EDUCADOR - e o pregar constante de uma escalada do faz-de-conta, sem nota e sem presença, existindo apenas pelo prazer de encontrar, de discutir ideias,  de fazer e refazer pensamentos,  de derrubar com todas as forças as “viseiras“, não de massificar mas de encontrar, mostrar caminhos, “fazer cabeças“ com o convite insistente,  constante de fazer de sua vida um eterno buscar.

Talvez tudo, todo este tempo, todo o processo inicial de transformação, de construção não tenha passado de mero sonho, mas de um buscar do presente real de diferenciação de ser e ser, entre varrer e varrer o laboratório destes sonhos, destas buscas, deste “tête-à-tête”; foi nesta Escola - O Riachuelo - que comecei minha vida, o faz-de-conta; aqui tivemos oportunidade de oferecer a pouca, a insignificância que tínhamos, mas que era e sempre foi o de melhor que possuíamos.

Nada é mais importante do que o poder de crença – creia e busque, busque e acredite, faça disto uma filosofia de vida, seja você mesmo, custe o que custar, a cada instante, a cada momento e por toda vida.

 

Do amigo e companheiro Mário de Castro

Colégio Riachuelo, agosto de 1983

 

terça-feira, 1 de março de 2022

 

MOCAMBEIRO

 

 

MOCAMBO: terra de devaneio

Ficastes famosa por sua bondade

Em acolher com carinho em teu seio

Seres cansados, sem ter liberdade.

 

Quando o negro escravo fugia

Das torturas e procurava o escambo,

Em direção a ti o negro corria

De braços abertos saudando-te

Oh! Bravo mocambo.

 

Hoje em dia já figuras na história

Te representa o fiel Mocambeiro

Depois da triunfante vitória,

Sou eu que te peço favor derradeiro.

 

Mocambeiro, tu parte sereno,

Deixando a solidão e saudade,

Eu pobremente intervenho

Solitário clamo a sua vaidade.

 

Mocambeiro! Tu levas metade do meu eu.

Por que não me escutas?

Tu roubas o que é meu.

 

 

(De MCASTRO)

 

... Está sim, num verão noturno de 1962, é um pedaço saudoso do lidos e vividos.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

 

Tempo de Doar

 

Em pleno século 21 do Terceiro Milênio o ato de Doar continua como uma ação de usar a lógica, a razão, o Hemisfério Esquerdo da nossa mente. Doar é partir, compartilhar o que temos com nosso semelhante, mesmo o pouco que tivermos. Já é tempo, passou da hora de ir além da razão para doarmos, é preciso usar o Hemisfério Direito de nossa mente, colocar sentimento, há de se querer, querer é poder, ter coragem, é jogar seu coração, é colocar afeto, amor no ato de Doar.

 

DOAR: COMO CADA UM DE NÓS PODE MUDAR O MUNDO

Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário

 

No século XXI a educação é a suprema doação de habilidades. Quase todo mundo é capaz de ser instrutor de leitura, orientar um jovem que tenta descobrir seu caminho na vida, ajudá-lo na oportunidade de refazer sua vida. Oseola McCarty soube ajudar, você também saberá.

 

         No mundo moderno, muitos dos problemas que atormentam nações ricas e pobres não podem ser tratados devidamente sem se adotar medidas governamentais mais esclarecidas, com administração pública mais competente e honesta e graças ao trabalho de cidadãos comuns que se reúnem para promover o bem público. O ex-presidente norte americano procura mostrar em sua obra, independente de renda, tempo, idade e habilidades o que todos nós podemos fazer para sermos doadores. Desde o Chess-in-the-school, em 109 escolas com 27 mil alunos, jogando xadrez em escola primária (há quase 100 escolas na lista de espera), e também a história extraordinária de Oseola McCarty, que durante toda sua vida de trabalho, poupa em um Banco seu ganhame de lavar e passar roupa para fora, vivendo modestamente, sem carro e aos 87 anos ainda caminhando mais de1,5 quilômetro até o armazém para compra de comida; no final de 1994 ela resolveu doar 60% das suas economias para estudantes e o restante para sua igreja e parentes; (Oseola foi recebida e homenageada na Casa Branca, pelo Presidente) A purificação de água para crianças africanas por meio de um produto da Procter & Gamble é uma doação de coisas extraordinária. Nem todos os doadores de habilidades são ricos ou de grandes organizações. Diane Stevens, uma americana dona de salão de beleza faz um trabalho extraordinário com mulheres em Serra Leoa. Assim como Diane, Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo, doando habilidades, está fortemente presente nas atividades esportivas e no compromisso dos jovens mexicanos, não só nos esportes, mas na saúde, do povo mexicano, com hospitais, cirurgias e implantes de órgãos dentro e fora do país.

          Um ótimo exemplo é Doações que continuam a Doar da Heifer International de Dan West que começa a doar vacas e você recebedor é obrigado a doar a primeira cria e assim por diante. Com o ritual de 'Passa Adiante o Presente' a instituição ajudou mais de 45 milhões de pessoas em 128 países. A Heifer hoje não só “doa para doar” vacas, mas também cabras, carneiros, perus, porcos, elefantes, peixes, cavalos, mulas, etc.

          



         Grande parte da cultura moderna é formada por histórias de frivolidades e autodestruição e a maior parte da política atual não se diferencia em políticas honestas, e sim em ataques pessoais. Uma mídia moderna, em sua maioria, dominada por pessoas que ganham fortunas degradando, definindo, explorando os sentimentos das pessoas. Quem é mais feliz? Os que constroem ou os que destroem? Os que doam ou os que tomam? Aqui, ali, lá fora existe um mundo inteiro que precisa de você. Velhos, jovens, meia-idade, que ganham pouco e muito, de várias maneiras podem doar. Qualquer doação o fará sempre feliz.

         Para esta participação corporativa de um mundo globalizado, que é compartilhar, enquanto empresa pública, A ECT já tem bons ensaios na rede social, inícios, e já trabalhos fortes de logística como soube demonstrar nas doações, ao país em 2010. Seminário, palestras, pesquisas sobre rede social chega em bom momento.

 

Doar: como cada um de nós pode mudar o mundo/fevereiro 2012

Bill Clinton; Rio de Janeiro Agir 2008

Mário Castro

 

sábado, 22 de fevereiro de 2020


POEMAS   PARA   REZAR

Michel Quoist

Com as luzes praticamente acesas do 3° Milênio e do século 21, por volta da segunda metade da década de 90, as escolas, as empresas, começavam a usar a figura de contos nos cursos de treinamento e desenvolvimento, como ferramentas de aprendizagem. Dos correios em Minas Gerais, como instrutores que éramos, fomos eu e Neuza Viana Nascimento Silva fazermos um curso de contar contos. Num atelier em Belo Horizonte - Contando Contos -  fizemos o curso e no trabalho de conclusão fiz uma adaptação do poema Oração do Sacerdote de Michel Quoist, como conto, que agora tenho o prazer de compartilhar.    



(Numa tarde de domingo)


Esta tarde, Senhor, estou sozinho.
Na igreja, pouco a pouco, os ruídos se calaram,
Foi-se embora toda gente,
Passo a passo,Sozinho.
Cruzei com gente que voltava de um passeio.
Passei pelo Cinema: vomitava uma pequena
       multidão.
Vaguei ao longo de terraços de cafés onde,
       cansados, os passeadores,
Tudo faziam para esticar um pouco mais
A alegria de viver de um domingo de festa.
Esbarrei nos guris que jogavam bola na calçada,
Os garotos, Senhor,

Os filhos dos outros, que não serão nunca os meus.
E aqui estou, Senhor,
Sozinho.
O silêncio me dói
A solidão me oprime.
Tenho 50 anos, Senhor,
Um corpo feito como outros corpos.
Braços moços para o trabalho,
Um coração reservado para o amor,
Mas tudo isto Ti dei.
É verdade que de tudo precisavas,
Tudo Ti dei, mas é duro, Senhor,
É duro dar o próprio corpo: ele queria dar-se a outros.
É duro amar toda gente e não possuir ninguém.
É duro apertar uma mão e não poder retê-la.
É duro fazer que brote uma afeição, mas para dá-la a Ti.
É duro nada ser para si mesmo, a fim de ser tudo para eles,
É duro ser como os outros, entre os outros e ser um outro!
É duro dar sem cessar, sem procurar receber.
É duro ir ao encontro dos outros, sem que jamais alguém
Venha ao nosso encontro.
É duro sofrer os pecados dos outros, sem poder recusar
Acolhê-los e carregá-los.
É duro receber os segredos, sem poder compartilhá-los.
É duro arrastar os outros sem cessar e nunca poder
Um instante sequer, deixar-se arrastar pelos outros.
É duro sustentar os fracos sem poder apoiar-se sobre um forte.
É duro estar sozinho.
Sozinho diante de todos
Sozinho diante do sofrimento,
Do pecado, da morte.


   Não estás só, meu filho,
   Estou contigo,
   Eu Sou tu.                
   Eu precisava, na verdade, de uma 
   humanidade a mais para
   Continuar Minha Encarnação e Minha 
   Redenção.
   Desde toda a eternidade, Eu ti escolhi.
   Eu preciso de ti.
   Preciso de tuas mãos para continuar a 
   abençoar,
   Preciso de teus lábios para continuar a 
   falar,
   Preciso de teu corpo para continuar a sofrer,
   Preciso de teu coração para continuar a amar,
   Preciso de ti para continuar a salvar,
   Fica Comigo, meu filho.


 Senhor, eis me aqui:
Eis meu corpo,
Eis meu coração,
Eis minha alma.
Faze-me bastante grande para atingir o mundo,
Bastante forte para carregá-lo.
Bastante puro para abraçá-lo, sem querer guardá-lo.
Faze que eu seja um ponto de encontro, sim,
Mas ponto de passagem.
Caminho que não prende para si próprio, por que nele
Não há nada de humano a encontrar, nada que não conduza a Ti.
Esta tarde, Senhor, enquanto tudo em volta silencia, dentro
Do meu coração sinto morder duramente a solidão.
Enquanto meu coração uiva longamente sua fome de prazer,
Enquanto os homens devoram-me a alma e eu me sinto impotente para saciá-los,
Enquanto sobre meus ombros pesa o mundo inteiro,
Com todo seu peso de miséria e de pecado,
Eu Ti repito o meu SIM, não às gargalhadas, mas lentamente, lucidamente,
Humildemente,
Sozinho, Senhor, sob Teu olhar.




Mário de Castro – Verão de 2020